Mulheres da minha vida
Neste mês de março venho homenagear as mulheres que carrego em mim, nesta foto, as 2 primeiras que fizeram parte da minha vida desde pequena – minha mãe (super estilosa), e minha avó (forte).
Ahhhh minha avó (Oba – avó em japonês), eu tinha uma ótima relação com ela. Lembro de tantas coisas com ela. Minha mãe sempre contou que a Oba foi a pessoa que a ajudou logo que cheguei em casa, foram comprar fraldas, na época (1975), as fraldas eram de pano. Lavou todas as fraldas, botou pra secar ao sol, passou, cuidou de tudo para que minha mãe iniciasse esta jornada com menos tensão. Hoje eu sei como é bem isso, ser mãe de primeira viagem, agora sou de segunda viagem, e ainda estou aprendendo como é caminhar neste lugar, quando devo mudar a rota para conseguir chegar da melhor maneira no objetivo final. Bom, mas estava falando das lembranças da minha avó. Às vezes, passava da casa dela durante a semana, ela morava com meus tios e primos, a tradição diz que a mãe deve ficar com o filho mais velho, não sei se isso ainda continua, e não sei dizer também se minha família materna seguia as tradições. Então, eu estava contando que as vezes passava na casa dela, íamos ao correio central, pegávamos o ônibus em frente à sua casa, e íamos conversando até chegar lá. Ela contava que ainda tinha parentes em Okinawa, então, ia mandar carta, e algumas “lembrancinhas”. Eu achava o máximo andar de ônibus com ela, tinha uma disposição, era rápida, e muito cuidadosa. Eu lembro bem deste cuidado comigo. Nós nos cuidávamos bem.
Outra lembrança que tenho é que ela fazia crochê sem olhar para os pontos, eu preciso contar os pontos, preciso olhar pra peça que estou produzindo, ela não, e fazia numa rapidez, impressionante. Ela me ensinou fazer crochê também, quando um ponto ficava muito diferente do outro, ficava mais folgado, pedia para eu desmanchar e fazer novamente. Afff, a professora era bem exigente.
Tenho uma lembrança engraçada de quando a minha avó veio morar em casa, eu deveria ter uns 13 anos eu acho. Dividíamos o quarto, e fazia pouco tempo que ela estava em casa, e ela me perguntou se tinha leite, mas com sotaque japonês, eu entendi o seguinte:
- Shimone, tem deite? (leia como está escrito, é assim que ela mais ou menos falava). E eu respondi o seguinte:
- Deita Oba, pode deitar, descanse!
- No, no, no deita. Tem deite? (Oba)
Quando eu entendi que ela estava perguntando se eu queria leite, eu não conseguia parar de rir, na verdade, eu chorei de rir, e ela também. Ríamos muito, era muito gostoso. Lindas lembranças.
Ah, e tem mais uma lembrança boa, lá vai, desta vez estava me preparando para sair da casa dos meus pais, pois ia me casar, ela disse que precisava conversar comigo, e aí, vou escrever como ela mandou o recado:
- Shimone, casamento precisa “paxienxia”, você é muito “burava”. Precisa “paxienxia”.
Esta conversa ficou bem forte em mim, e claro no início do casamento, em algumas vezes que eu poderia me alterar, eu lembrava da Obá conversando comigo, e esta paciência.
Hoje ela não está presente fisicamente, faleceu com 93 anos, lúcida, ativa, escrevia em seu diário todos os dias. Sei o quanto ela esta viva em mim.
Arigatô Obá.
Obs: o próximo post será sobre minha mãe, em breve.
Texto escrito por Simone Kohatsu.

Comentários
Postar um comentário